Favela na escola ou NADA
Depois de dias de muita
satisfação e trabalho em Vitória do Espirito Santo, comecei a analisar a escola
e o que compõe ela.
A escola é um dos maiores
instrumentos de transformação social, ela transmite e absorve o reflexo da nossa
sociedade, escutamos lá dentro desde um gentil ‘’BOM DIA’’ até a mais bruta
palavra. Dentro da escola tem de tudo, tem a até a FAVELA, que na verdade hoje
compõe a escola e faz dela o que ela é ou o que deve ser.
Esse ponto foi o causador da minha reflexão. No
pé da palavra, FAVELA é ‘’o
conjunto de habitações populares precariamente construídas e desprovidas de
infraestrutura (rede de esgoto, de abastecimento de água, de
energia, de posto de saúde, de coleta de lixo, de escolas, de transporte
coletivo etc.). ’’ Nas várias análises subjetivas que fazemos da palavra
FAVELA, entendemo-la como comunidade, cultura, parte da vida de pessoas, arte,
amor, jeito de falar, música, trabalho e no sentido amplo da palavra entende-se
como COMUNIDADE.
Mas
voltando a minha reflexão, hoje a FAVELA compõe a escola. Vivem nela, alunos e
equipe escolar, que todos os dias são protagonistas da sua construção, às vezes
são vitimas de uma sociedade que marginaliza a comunidade/favela e com isso
reflete na escola um papel negativo da comunidade/favela ou das pessoas que
vivem nela, provocando a desmotivação e que desacreditem da sua capacidade de
avançar para uma situação melhor, usando o bom do que se tem.
“Cada um canta aquilo que vive, eles cantam FAVELA”.
Cada um fala o que vive, eles falam FAVELA.
Na escola
pública existem meninos e meninas que precisam trabalhar pra ajudar em casa,
quando não tem tempo para um trabalho ‘’formal’’ (o que descumpre o ECA se nós fomos considerar a idade de cada um
deles), eles trabalham informalmente tornando-se vitimas da nossa
sociedade, vendendo drogas ilícitas ou até seu próprio corpo, outros são espancados
por seus responsáveis, não recebem a devida atenção para que eles tenham um
ambiente tranquilo e próprio pra o estudo e até pra uma convivência harmoniosa,
por outro lado a gente sabe que dentro da escola tem crianças e adolescentes
que devem estudar, que devem viver bem, que tem que ter acesso a cultura, ao
lazer, ao esporte e ao amor.
Existem
professores maravilhosos, que preparam suas aulas e que no ambiente extra sala
de aula estão dispostos a fazer parte da vida dos seus alunos, entendendo que
um aluno dentro da escola não está lá apenas para formação acadêmica, mas
também para formação cidadã e política, por outro lado temos profissionais esgotados
e cansados do desgaste provocado pelo sistema público de educação, que cada vez
mais suga desses profissionais o seu melhor e não os recompensa como deveria, o
que reflete na sala de aula em situações
de estresse.
Temos as famosas tias da limpeza e da cozinha, que nos tratam com carinho e às vezes
com muita asperidade, o que é
um reflexo da situação em que vivem, mesmo sabendo que no trabalho devemos
deixar problemas pessoais do lado de fora, a realidade não é essa, para todo
corpo escolar, existe a bagagem da nossa vida pessoal dentro do trabalho,
dentro da escola... É algo que nos acompanha e que faz bastante diferença na produção
dos nossos resultados
Dentro da
escola pública temos a COMUNIDADE/FAVELA, temos o menino que do lado de fora é
o traficante e lá dentro é muito inteligente, pode ser um cara promissor que
produza bons resultados, mas sua bagagem o esgotamento dos professores/coordenadores
e a asperidade das tias da limpeza/cozinha provocam nele um desestimulo natural,
e da mesma maneira que ele é tratado lá fora o tratam dentro da escola , assim
como da mesma maneira que ele age lá fora, ele vai agir dentro da escola.
Mas o que
fazer? Em minha opinião deve haver dentro da escola uma equipe de psicólogos e
assistentes sociais que vão tratar de todo corpo escolar, desde o funcionário terceirizado,
diretores, coordenadores, professores até os alunos, trabalhando dinâmicas de
bom desempenho e valorização da bagagem que eles têm, sem essa de ARRANCAR seus
valores e sua favela, filtrando tudo que cada um pode usar para alcançar
bons resultados e que os deixem a vontade e tranquilos, pra que a escola comece
a agir como via de mão dupla, não só recebendo o reflexo da sociedade, mas
também refletindo nela todo potencial de mudança que existe na EDUCAÇÃO.
Não grite, nem trate mal essas crianças e adolescentes! Na FAVELA lá
fora da escola já fazem isso demais com eles, mostrem a eles que é possível
tratar bem, falar com carinho, dedicar a ele sua atenção, mostre que dentro da
escola a FAVELA é preservada, sua cultura, seu jeito de falar, de vestir, mas
que eles podem usar de todo seu potencial para buscar seus sonhos e refletir lá
fora um mundo melhor, sem perder sua essência, sem perder suas rimas, seu
sotaque, seus trejeitos, sem deixar de ser o que é.
FAVELA NA ESCOLA ou NADA, não negocio minha favela por seu jeito requintado,
eu quero EDUCAÇÃO dentro da minha favela, quero minha favela produzindo
educação.
Por fim, é
isso!

Concordo plenamente. é bastante notável o esgotamento de tais funcionarios citados no texto, e são palavras muitas vezes bobas que ferem e destroem grandes sentimentos. Aplaudo seu texto e suas observações bastantes minuciosas. Adorei tudo!
ResponderExcluirParabéns.
by Gérson de Andrade.
excelente texto e bem reflexivo, flor.
ResponderExcluirJhonatan Franklin